domingo, 27 de julho de 2008

Bruno - METAPINTURA

Não lembro o nome do trabalho, mas as imagens não saem da minha memória. Magrite presente, o duplo ao lado do objeto. Ficção e realidade. Representação e materialidade. Bruno nos dá tudo, mas subverte o olhar. É igual a uma pintura, a cor, a textura, a moldura. - Puxa que fácil, é incrível, que pintura boa. Mas aí, ...está no chão ao lado do objeto “pintado”, vamos comparar. - Nossa, é realmente igual, ...não, é ainda melhor que o próprio real, tem uma textura mais interessante. - Peraí, mas olhando bem, isso não é pintura, é uma foto. Hummm, por isso é tão real. Mas calma, então o que é isso que eu estou vendo, é o duplo, o duplo dum pedaço desse espaço, com uma aparência que o torna ainda melhor. Quero olhar só para a imagem, ela me diz mais do lugar que ele mesmo.Bem, vou ficar pensando sobre isso... Caminho mais um pouco vejo outros trabalhos interessantes, e eis que , lá está outra imagem como estas, só que agora é uma escada que não faz parte da arquitetura , e o nome do trabalho é Natureza morta,........ Acho que saquei...é fotografia, mas é pintura, o artista através do processo de captação da imagem, e de suas escolhas, textura, cor, tamanho, o tipo de papel fotográfico, moldura, etc discute a pintura e suas possibilidades. A pele que vemos é essa superfície, que por sua transparência deixa ver e sentir a potência e a espessura do corpo que arte contém e produz. As vicissitudes da obra de arte nos são mostradas pelo Bruno de maneira contundente. Vamos e voltamos na história da arte e nos encontramos aqui como Poussin se encontrava buscando revelar esse corpo, encontrar a essência. E no meu entender o que Bruno faz não é metagravura, mas pintura, ou até mesmo, meta-pintura, pensamos incessantemente em pintura vendo seu trabalho sem no entanto, ser pintura.

MARISA WEBER -visor de parede

Marisa Weber, Visor de parede. Subindo a escada dos fundos, lá no canto onde poucos terão curiosidade, ousadia ou alguns até mesmo, descuido em chegar, está o visor de parede. A placa indicando o nome da artista e o título é imprescindível para indicar a obra, que exige que busquemos por ela. É preciso levantar a cabeça e olhar para cima, mas todo esse esforço e esse caminho percorrido até ali, justificam-se no momento mesmo que os olhos pousam sobre o trabalho. Ele só poderia estar ali, ser isso mesmo.É sutil, sucinto e completamente assertivo. Justo. Marisa fez a escolha, revela uma das muitas camadas que a parede recebeu em toda sua história, e a valoriza, dá brilho, a tira para fora, faz vir ao encontro de quem olha. Mas, o trabalho não é só isso: olhem o canto que escolhi para vocês olharem. Os seus procedimentos de apropriação, justaposição e fragmentação revelam a astúcia de mostrar que a arte está na proposição, e no corpo espesso, que algo tão insignificante como uma placa de acrílico revela: um pensamento certeiro de que ali tem uma provocação ao olho, e mais, ao pensamento.