sexta-feira, 1 de agosto de 2008
encontro com Tarsila
Também fui “ver a Tarsila” no domingo (também porque haviam milhares de pessoas lá, achei isso muito bom) e concordo com a Nicole, existem duas questões que ficaram evidentes nesta visita, uma é o quanto os “espectadores que transitam inalterados pelas obras” são afetados, ou melhor estão interessados naquilo que está ali, e a outra que se desdobra disso é: como a proposta de “um percurso afetivo” da exposição desperta o interesse desse espectador. Bem, daqueles que vão lá apenas para se deparar por alguns segundos em frente a "antropofagia e a negra", e seguem seu passeio como se estivessem no shopping, só tenho a dizer que ao menos o museu entrou na lista de opções de passeios dominicais, ainda bem!
Quanto à proposta, confesso que: "pelo amor de deus" será que o MON não tem uma equipe decente de montagem?
O que é aquela luz? uma vergonha! Não foram poucas vezes que vi pessoas fazerem como eu: olhar para a obra e imediatamente olhar para a luz dirigida à ela, já que fazia uma "faixa amarela logo abaixo da pintura", ou quando havia uma sombra enorme sobre a pintura, ou ainda quando uma obra recebia uma luz muito mais forte que a do lado, talvez uma vontade de hierarquização da qualidade dos trabalhos pela curadoria?! Sem falar da disposição das paredes em angulo oblíquo, que obrigam aos observadores amontoarem-se nos cantos para ver alguns trabalhos. Bem, confesso que fui embora muito aborrecida com a falta de bom senso, não que eu ache que o espaço expositivo tenha que ser proposto aos moldes do “cubo branco”, mas o problema é quando este mesmo espaço se propõe como um parque temático de mau gosto e interfere negativamente. Só consigo lembrar daquele amarelinho azedo! e fiquei com muita vontade de encontrar com a Tarsila em outro lugar.
domingo, 27 de julho de 2008
Bruno - METAPINTURA
Não lembro o nome do trabalho, mas as imagens não saem da minha memória.
Magrite presente, o duplo ao lado do objeto. Ficção e realidade. Representação e materialidade.
Bruno nos dá tudo, mas subverte o olhar.
É igual a uma pintura, a cor, a textura, a moldura.
- Puxa que fácil, é incrível, que pintura boa.
Mas aí, ...está no chão ao lado do objeto “pintado”, vamos comparar.
- Nossa, é realmente igual, ...não, é ainda melhor que o próprio real, tem uma textura mais interessante.
- Peraí, mas olhando bem, isso não é pintura, é uma foto. Hummm, por isso é tão real.
Mas calma, então o que é isso que eu estou vendo, é o duplo, o duplo dum pedaço desse espaço, com uma aparência que o torna ainda melhor. Quero olhar só para a imagem, ela me diz mais do lugar que ele mesmo.Bem, vou ficar pensando sobre isso...
Caminho mais um pouco vejo outros trabalhos interessantes, e eis que , lá está outra imagem como estas, só que agora é uma escada que não faz parte da arquitetura , e o nome do trabalho é Natureza morta,........
Acho que saquei...é fotografia, mas é pintura, o artista através do processo de captação da imagem, e de suas escolhas, textura, cor, tamanho, o tipo de papel fotográfico, moldura, etc discute a pintura e suas possibilidades. A pele que vemos é essa superfície, que por sua transparência deixa ver e sentir a potência e a espessura do corpo que arte contém e produz. As vicissitudes da obra de arte nos são mostradas pelo Bruno de maneira contundente.
Vamos e voltamos na história da arte e nos encontramos aqui como Poussin se encontrava buscando revelar esse corpo, encontrar a essência. E no meu entender o que Bruno faz não é metagravura, mas pintura, ou até mesmo, meta-pintura, pensamos incessantemente em pintura vendo seu trabalho sem no entanto, ser pintura.
MARISA WEBER -visor de parede
Marisa Weber, Visor de parede.
Subindo a escada dos fundos, lá no canto onde poucos terão curiosidade, ousadia ou alguns até mesmo, descuido em chegar, está o visor de parede. A placa indicando o nome da artista e o título é imprescindível para indicar a obra, que exige que busquemos por ela. É preciso levantar a cabeça e olhar para cima, mas todo esse esforço e esse caminho percorrido até ali, justificam-se no momento mesmo que os olhos pousam sobre o trabalho. Ele só poderia estar ali, ser isso mesmo.É sutil, sucinto e completamente assertivo. Justo. Marisa fez a escolha, revela uma das muitas camadas que a parede recebeu em toda sua história, e a valoriza, dá brilho, a tira para fora, faz vir ao encontro de quem olha. Mas, o trabalho não é só isso: olhem o canto que escolhi para vocês olharem. Os seus procedimentos de apropriação, justaposição e fragmentação revelam a astúcia de mostrar que a arte está na proposição, e no corpo espesso, que algo tão insignificante como uma placa de acrílico revela: um pensamento certeiro de que ali tem uma provocação ao olho, e mais, ao pensamento.
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